Histórico

O ano de 1992 foi, sem dúvida, um marco na história do ambientalismo em todo o Planeta. A Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento e o Fórum Global 92, marcaram definitivamente o fortalecimento dos movimentos ecológicos em todo o mundo. Foi neste momento que se fez pública no Brasil, uma nova visão do ambientalismo, o socioambientalismo, forjado nos movimentos de resistência à ditadura militar, perpassado pela visão integrada da natureza oriunda da sabedoria dos povos tradicionais, das nações indígenas, das populações ribeirinhas, dos povos da floresta. Um ambientalismo embasado em uma compreensão sistêmica do universo, onde a preservação do ambiente não pode estar dissociada do respeito à vida de todas as espécies, humanas e não humanas, da dignidade humana, da justiça social, da responsabilidade planetária.

O desejo de expandir a compreensão do ambientalismo para muito além da preservação da fauna e da flora, aliado à vontade cidadã de contribuir para a construção de um novo paradigma, o ímpeto de pautar nas grandes metrópoles a discussão da gravíssima temática ambiental urbana, o entendimento de que só a educação pode garantir a conquista de uma qualidade de vida mais digna para todos e todas e a vontade de influenciar políticas públicas socioambientalmente corretas, fez com que um grupo de acadêmicos e acadêmicas, educadores e educadoras, ambientalistas, pesquisadores e pesquisadoras, se unissem, logo após a Eco 92, para formar o Instituto Ecoar para Cidadania.

Marcos Sorrentino, Rachel Trajber, Moema Viezzer, Nilo Diniz, Tânia Moreira Braga, Irineu Tamaio, Ricardo Rodrigues, Cláudia Macedo, João Cavallo, Sérgio Dialetachi, lideraram este grupo e juntos escreveram, em colaboração com centenas de companheiros e companheiras de todas as partes do mundo, o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, até hoje considerado um dos documentos mais atuais, densos, profundos, éticos e solidários, já produzidos pela sociedade civil organizada.

Dos sonhos daquele grupo pioneiro, nasceu o Ecoar, com a explícita missão de contribuir para a construção de sociedades sustentáveis. Assim mesmo, no plural, conotando, já em sua ata de formação, o respeito à diversidade, às especificidades socioeconômicas culturais de cada comunidade e apontando ao mesmo tempo, para a compreensão da sustentabilidade como um conceito planetário.

Os primeiros projetos do Ecoar foram inteiramente dedicados a atividades instrucionais com publicações e vídeos voltados a disseminar os princípios da Educação Ambiental.

A partir de 1994, passamos a aliar práticas florestais às atividades educacionais, com a criação da Associação Ecoar Florestal.

Em 1996, uma nova linha de ação se desenhou na entidade: a implementação de projetos com atividades de campo, junto a comunidades de baixa renda, com foco na promoção do desenvolvimento local sustentável.

Com este fim, o Ecoar criou metodologias inovadoras de intervenção que até hoje são utilizadas pela instituição e por várias outras entidades em todo o país.

Os inúmeros técnicos, educadores, estagiários, consultores que passaram pelo Ecoar trouxeram contribuições essenciais, enriquecendo sua práxis.

Nos últimos anos, as reflexões que foram sendo feitas ampliaram sobremaneira seus eixos de atuação. Mudanças substanciais passaram a acontecer a partir, principalmente, da constatação das inestimáveis contribuições que a ciência e a tecnologia, haviam trazido à ecologia e aos movimentos socioambientais, influenciando-os fortemente.

A instituição também não poderia desconhecer a grande transformação pela qual estavam passando as empresas e as instâncias governamentais. Décadas de trabalho dos movimentos da sociedade civil, especialmente do movimento feminista, de direitos humanos e do ambientalista, forjaram consumidores e investidores mais exigentes e culminaram na edição de legislações mais severas e justas.

Também não se podia mais ignorar os efeitos da globalização de influenciar práticas, alterando costumes. Uma nova sociedade global estava posta onde a popularização da rede mundial de computadores possibilitava à sociedade civil um nível de organização e mobilização planetária.

Percebíamos claramente que, apesar do retrocesso político da década de 90 especialmente nos USA e na Europa, continuava em plena forma, e cada vez mais intenso, um movimento crescente de preocupação ecológica em todos os segmentos, inclusive dentre consumidores, investidores e eleitores.

Sem saída, empresas, mesmo a de países tradicionalmente atrasados nas questões socioambientais como o nosso, tiveram que se adaptar.

Com o advento da ”descoberta” dos conceitos de responsabilidade social e desenvolvimento sustentável por parte do empresariado e dos governos brasileiros, o Ecoar percebeu que poderia dar uma grande contribuição para dirimir equívocos de compreensão e/ou para aprofundar a atuação daqueles que realmente estivessem imbuídos do desejo de realizar a transição do paradigma anterior para padrões mais sustentáveis de produção, consumo e descarte.

Em 2003, o Ecoar estabelece a Educação para Sustentabilidade, como eixo fundante de suas atividades, elegendo os stakeholders das empresas como foco de seus trabalhos.

Conseguir sensibilizar e mobilizar estes diferentes públicos alvo que iam desde empresários, gerentes de meio ambiente, comunidade escolar, políticos em cargo que ocupam cargos de decisão, arquitetos, engenheiros, agrônomos, jornalistas,  para a idéia de que a sobrevivência do Planeta está associada às idéias de justiça social, de dignidade humana tanto quanto à de restauração e conservação ambiental, se tornou em um  grande desafio para o Ecoar.

Experiências inovadoras, advindas de suas pesquisas e reflexões enriqueceram e atualizaram as metodologias já existentes no Ecoar, tais como a utilização intensiva de novas formas de arte educação e educomunicação nos trabalhos com jovens, inusitadas técnicas de caracterização socioambiental aliadas ao diagnóstico participativo, a pesquisa e incentivo ao planejamento e modelagem ecológica das estruturas rurais e urbanas, a alfabetização ecológica em escolas, empresas, espaço públicos, a utilização dada vez mais intensa das ferramentas de comunicação de massa e da tecnologia da Rede Mundial de computadores, etc.

Considerado por muitos como um grande formador de quadros e metodologias, o Ecoar segue seu percurso, escrevendo a sua história, que se confunde com a história da Educação Ambiental no Brasil, buscando constante aprimoramento, perseguindo a eficiência, a eficácia e a profissionalização, como ferramentas para contribuir,  cada vez mais, com a construção de um Brasil Sustentável.

Como já havia acontecido em relação a Educação para Sustentabilidade, o Ecoar se tornou referencia no pais em Educação para Mudanças Climáticas, sendo convidado a trabalhar o tema em seminários e cursos nacionais e internacionais,

Em dezembro de 2009, durante a COP 15, em Copenhagen, o Ecoar juntamente com a Universidade de York, do Canadá, lançou o Portal de Justiça Climática Global, com foco na adaptação das comunidades vulneráveis de todo o mundo às conseqüências das mudanças climáticas.

Em 2011, com vistas a ampliação do alcance de seus trabalhos, o Ecoar estabeleceu uma  parceria com a Brasil Sustentável Editora, e lançou 03 cursos de educação a distancia, via internet, sob os títulos:

Construindo Escolas Sustentáveis, dedicado a professores e professoras de todos os níveis;

Construindo Empresas Sustentáveis, dedicado a gestores e colaboradores de empresas de qualquer porte

Construindo Sociedades Sustentáveis, dedicado a lideranças, gestores públicos, estudantes e público em geral.

A partir de 2012, um dos prinicpais focos dos trabalhos do Ecoar passou a ser a Política Nacional de Resíduos Sólidos, cuja lei foi promulgada em 2010 com prazo ate 2014 para ser implementada em todo território nacional.

A organização e fortalecimento de cooperativas de catadores de materiais recicláveis, a implantação da Logistica Reversa das empresas e a assessoria aos órgãos públicos na gestão de resíduos fazem parte hoje do portfolio de projetos do Ecoar.