Mercado busca especialistas em mudanças climáticas

11/02/2009

11/02/2009 - 09h02
Mercado busca especialistas em mudanças climáticas
Por Fabiano Ávila, do CarbonoBrasil

A crise econômica mundial significa queda das vendas, diminuição da produção industrial, demissões e baixos índices de criação de novos empregos. Porém, contrariando este quadro, uma pesquisa conjunta dos institutos Greenhouse Gas Management e Sequence Staffing, apresentou que o mercado de carbono e outras atividades ligadas às mudanças climáticas não encontram profissionais qualificados para as vagas que oferecem.

O 2009 Greenhouse Gas and Climate Change Workforce Needs Assessment Survey Report entrevistou 700 executivos, cientistas e líderes de organizações dos setores público, privado e sem fins lucrativos, de todo o mundo, e revelou que 84% consideram difícil achar profissionais capacitados para o setor e que 87% acreditam que isso será um grave problema nos próximos anos.

“O resultado faz sentido devido ao rápido crescimento do mercado de mudanças climáticas e de carbono”, afirma o vice-presidente da Sequence Staffing, Frank DeSafey. “A necessidade por especialistas treinados para esse setor é fundamental para que a comunidade internacional seja páreo para a crise climática e também para aproveitar as oportunidades provenientes dela”.

No Brasil o cenário não é diferente, existem centenas de ONGs, programas governamentais e empresas oferecendo vagas que não são preenchidas pela falta de pessoas capacitadas. Por exemplo, uma reportagem recente do jornal Valor Econômico apontou para a falta de engenheiros e técnicos florestais, o que poderá acarretar no fracasso do plano do governo federal de realizar concessões públicas de terras na Amazônia.

Segundo o professor da UFMG Carlos Antônio Leite Brandão, organizador do livro “As profissões do futuro”, existem muitas oportunidades no setor no Brasil, até em virtude dos problemas que temos por aqui. “Basta ver os limites que chegamos em relação à exaustão do meio ambiente e da própria fonte de recursos, as quais é preciso controlar. Isto impõe, além de questões específicas ao meio ambiente e ao universo da energia e tecnologia, questões complexas de ordem cultural, ética e legal.”

Novas profissões

Ainda de acordo com o relatório, 82% dos entrevistados acreditam que as instituições educacionais não estão fornecendo as habilidades e conhecimentos para treinar os profissionais que ingressarão na área.

“Em um campo tão técnico, é crucial que os profissionais sejam treinados para dar apoio ao programa de ‘cap-and-trade’ ou ao sistema de taxas de carbono”, diz o diretor do Instituto de Administração dos Gases do Efeito Estufa, Michael Gillenwater. “Nosso relatório indica que é um sério risco para a própria credibilidade do setor o emprego de pessoas não qualificadas. Corremos o risco de escândalos no estilo da Enron ou do mercado de hipotecas americano. Para evitar isso, precisamos de profissionais éticos e capacitados para regular, auditar e administrar as emissões.”

Para o professor Brandão, o problema é complexo e exige o envolvimento de profissionais de vários campos. “As universidades precisam se capacitar rapidamente para enfrentar as questões ambientais. Sobretudo na pós-graduação, com cursos capazes de fazerem interagir vários alunos de várias áreas do conhecimento e diante de problemas localizados, circunstanciados, imediatos e complexos, onde o saber se aplique e se dimensione conforme o problema que se coloca, como no caso da Amazônia, dos transgênicos, das terras para a plantação de cana-de-açúcar, etc”, afirma.

A pesquisa conclui também que 85% dos entrevistados acreditam que a economia verde deve ter um crescimento de 25% no próximo ano. De acordo com o livro “As profissões do futuro”, novas atividades devem se estabelecer e ganhar ainda mais espaço no mercado. Trabalhos como o de cientista sócio ambiental, para analisar as questões de preservação do meio ambiente; especialista em aquecimento global; “climatologista”, para analisar e prever mudanças climáticas; serão muito valorizados.

Mas não são apenas emprego e salário que esses novos profissionais devem buscar, parece existir toda uma necessidade por uma postura com mais compromisso social. “São problemas não apenas técnicos, mas também éticos, culturais e relativos à justiça social. O difícil é entrelaçar todas estas dimensões e considerar o impacto global das ações locais e contextualizadas. A questão ambiental não pode ser pensada em si mesma, mas associada com as questões do direito, da cultura e da ética, talvez um pouco como pensou Chico Mendes, mas incorporando melhor as questões avançadas como as que têm chegado a biologia e a bioética”, conclui Brandão.

Leia direto da fonte

(Envolverde/CarbonoBrasil)

© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

O Instituo Ecoar prmove, desde 2008, Curso de Especialização Lato Sensu em Mudanças Climáticas e Sequestro de CO2 e o Ciclo de Cursos que aborda questões climáticas e de desenvolvimento sustentável.

Para mais informações clique na imagem:




Outras notícias:

19/12/2018
CAIXA POSTAL ECOAR
ENDEREÇO PARA CORRESPONDÊNCIAS PARA O ECOAR: CAIXA POSTAL 79626 - CEP.: 03064-970

30/11/2018
Instituto Ecoar colabora com o programa de sustentabilidade da Rio Tinto
A presidente do Ecoar, Miriam Duailibi, a convite da Rio Tinto, vem trabalhando presencialmente com a equipe do escritório de São Paulo e remotamente com a equipe de São Luís, questões relevantes para a sustentabilidade.

01/10/2018
Entrevista Miriam Duailibi TV Aparecida
Acesse o link e assista e entrevista.

26/09/2018
Observatório da Governança das Águas - OGA
Acesse e conheça o OGA. O INSTITUTO ECOAR FAZ PARTE DESSE OBSERVATÓRIO TÃO IMPORTANTE NO TEMA.

26/09/2018
MUDANÇAS CLIMÁTICAS - Notícias
Para saber mais sobre as mudanças climáticas em curso, clique no link do material elaborado pelo Instituto ClimaInfo ( www.climainfo.org.br ), organização na qual a presidente do Ecoar participa como conselheira.

18/09/2018
Guias de EA da ESEC Caetés e RVS Gurjaú
Elaborados os Guias de Educação Ambiental da Estação Ecológica de Caetés e do Refúgio da Vida Silvestre Matas do Gurjaú.

17/09/2018
REGULAMENTO DE COMPRAS E CONTRATAÇÕES DO INSTITUTO ECOAR PARA A CIDADANIA
Com base no MROSC, desde 2017 o Ecoar instituiu o Regulamento Interno de Compras e Contratações. Acesse o link.

13/07/2018
Exposições Fotográficas Itinerantes PE
Ecoar realiza exposições fotográficas sobre Unidades de Conservação em Pernambuco

14/03/2018
Fórum Mundial da Água e Fórum Alternativo Mundial da Água
O Instituto Ecoar que compreende a água como direito e não mercadoria, estará participando ativamente do Fórum Mundial da Água que acontecerá em Brasília de 18 a 22 de março, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães e também do Fórum Alternativo Mundial da Água – FAMA, que terá lugar na Universidade de Brasília de 17 a 22 de março e da Vila Cidadã no estádio Mané Garrincha. Acompanhe nossa agenda

30/01/2018
ECOAR, SENAES e REDE VERDE SUSTENTÁVEL
Conheça o projeto Fortalecer e Organizar os Catadores da Região Metropolitana de São Paulo. Clique aqui para visitar o site do projeto!



Veja todas as notícias