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New Green Deal europeu é exemplo para o Brasil

25/08/2020

New Green Deal europeu é exemplo para o Brasil

Jornal O GLOBO – 24/08/2020

Pós-Covid abre oportunidade para manufatura nacional recuperar o protagonismo

Miriam Duailibi e Paulo Feldmann

24/08/2020 - 01:00

Nos últimos 30 anos, o Brasil perdeu sua capacidade industrial de forma dramática. Em 1990 estávamos entre os sete maiores produtores industriais do mundo, e a manufatura representava 34% do PIB. Hoje, já não estamos nem entre os 15 países mais importantes, e a manufatura é apenas 9% do PIB. Não vamos aqui discutir as razões dessa perda de espaço, mas queremos mostrar que, com o pós-Covid, uma janela de oportunidades se abre para a manufatura brasileira voltar a ser protagonista mundial. Para isso, é importante conhecer o que a Europa está fazendo.

O “Green Deal” é o pacto ecológico coordenado pela Comissão Europeia que tem como objetivo ser o fio verde para todas as futuras iniciativas na Europa e propõe uma política industrial para que o continente se torne neutro em carbono até 2050.

No caso do nosso país, deveríamos pensar em algo semelhante, mas que contemplasse,  além dos aspectos ecológicos,  os aspectos sanitários que nos deixassem preparados para a eventualidade de novas epidemias,  que provavelmente vão acontecer. Segundo estudos científicos, o mundo estará ainda por muito tempo em estado de alta vulnerabilidade à incidência de outras pandemias, dadas as condições de grandes aglomerações humanas e de um modelo civilizatório predador, que vem impactando gravemente o equilíbrio ecológico do planeta.

Não podemos esquecer que a letalidade e o alto número de infectados pela Covid-19 entre os profissionais de saúde devem-se, em grande parte, à falta de acesso a equipamentos de proteção individual, os EPIs. A dificuldade em produzir tais insumos escancarou a deficiência da nossa indústria e mostrou os perigos que existem na dependência externa de produtos industriais. Nem máscaras estávamos produzindo. Foi muito difícil importar respiradores, item no qual já fomos líderes na fabricação, sem falar nos reagentes para possibilitar os testes que tanto faltaram em nosso país.

O fato é que não podemos ser pegos desprevenidos mais uma vez e,  por isso,  aqui trazemos para o debate uma proposta de uma nova e robusta política industrial para o Brasil que contemple a autossuficiência em produtos essenciais para o bem-estar, saúde e segurança da população — mas que também seja geradora de emprego e trabalho e  embasada em parâmetros ecologicamente sustentáveis. 

Nessa nova política industrial deve ficar estabelecido o conceito de que há setores estratégicos, que são aqueles onde o país não pode de maneira alguma depender de importações — como aconteceu agora, quando a saúde da população foi prejudicada.  Estes setores devem merecer estímulos e subsídios para que estejam aptos e em boas condições nos momentos em que forem chamados à ação, mas também requer atenção especial tudo o que diz respeito à saúde do brasileiro,  como o SUS, o saneamento básico e a água potável, que precisam ser vistos como bem comuns de toda população. Com uma nova política industrial, as empresas brasileiras passariam a investir mais em Pesquisa & Desenvolvimento, pois cresceria a confiança nos propósitos governamentais. 

A pesquisa no Brasil deve contemplar áreas onde temos possibilidade de nos destacar em nível mundial. Especialistas consideram que, em menos de 30 anos, as grandes transformações virão das chamadas ciências da vida, como a genética, a medicina, a farmacêutica e, principalmente, a biotecnologia. A matéria-prima fundamental da biotecnologia são a biodiversidade e o conhecimento sobre os princípios ativos embutidos na flora e na fauna. O Brasil é justamente o maior país megabiodiverso do mundo, e biomas como a Amazônia e o Cerrado constituem-se em celeiros de insumos para centenas de milhares de produtos alimentícios, fármacos, cosméticos, médicos e têxteis, entre tantos outros.

Apesar de o Brasil ser um dos países mais propícios ao desenvolvimento de fontes limpas de energia, não dispomos ainda de produção suficiente de energia solar e eólica. A nova política industrial deve prover incentivos para a expansão dessas matrizes, garantindo uma segurança energética de baixo carbono. Ao mesmo tempo, deve estimular a indústria de transporte de cargas sobre trilhos, incentivar a produção de carros elétricos, livrando o país da dependência dos combustíveis fósseis, cumprindo assim as metas assumidas no Acordo de Paris.

Não se pode esquecer que necessitamos ter políticas claras e estímulos fortes para a indústria da reciclagem. Adotar conceitos de economia circular, com reaproveitamento total dos recursos naturais e desperdício zero. É preciso acenar ao mundo que o Brasil está em sintonia com os princípios da sustentabilidade que cada vez mais se colocam como imperativos para o comércio entre nações.

Dessa forma, após a crise da Covid-19 poderemos dar um salto, dado possuirmos fontes limpas de energia abundantes e matérias-primas básicas para diversos setores essenciais deste século. No passado deixamos de embarcar em diversas ondas tecnológicas, mas nenhuma nos foi tão favorável quanto esta. É urgente que tenhamos uma política industrial onde se defina de que forma queremos usar esta imensa riqueza que possuímos e como seremos protagonistas da Revolução Verde e da Biotecnologia, e não um mero exportador de matérias-primas como temos sido desde as revoluções anteriores.

Estamos diante de uma mudança estrutural da economia mundial desencadeada pela crise do coronavírus. Há uma brecha que pode ser aproveitada pelos países que forem mais rápidos no planejamento e na execução de uma nova política industrial para si próprios. Mas, sem uma firme atuação governamental e o protagonismo do setor industrial, corremos o risco de ficar onde estamos.

Miriam Duailibi é presidente do Instituto Ecoar, e Paulo Feldmann é professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo



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