Mudanças climáticas são o grande desafio atual da educação ambiental

25/06/2009

O Instituto Ecoar e a WWF Brasil realizam em Brasília um encontro entre 25 educadores ambientais, representando todas as regiões do país, para discutir o papel dos educadores ambietais frente ao desafio do Aquecimento Global.

Segundo Miriam Duailibi, presidente do Ecoar, nos fóruns em que se discute Mudancas Climáticas no Brasil e no mundo, a única participação organizada e sistematica de educadores ambientais tem sido do Ecoar. "Somos sempre a única voz nos Seminarios, Congressos que mostra a essencialdiade da Educação Ambiental no enfrentamento do aquecimento global" afirma Miriam e prossegue " este encontro visa dar início a um movimento de engajamento da EA brasileira no tema, não só de forma reflexiva e crítica, mas principalmente traduzindo-se em projetos socioambientais de mitigação e adapatção baseados nos principios éticos e transformadores da EA latino americana".

Os critérios de escolha para a participação neste seminario contemplaram a regionalidade geográfica buscando mesclar educadores de grande experiencia e renome com novas e promissoras lideranças, explica José Luciano Araujo, coordenador de projetos do Instituto Ecoar e um dos responsáveis pelo evento.


Por Waldemar Gadelha Neto - WWF

Quase todos os brasileiros já ouviram falar sobre mudanças climáticas, aquecimento global, gases de efeito estufa. Depois dos relatórios do IPCC (Painel Internacional de Mudanças Climáticas, na sigla em inglês) e da entrada em cena de um personagem inusitado – saído do Hall of Fame da política dos Estados Unidos – Al Gore, a agenda ambiental mundial voltou-se quase que inteiramente, para o bem ou para o mal, para aquelas questões inquietantes destiladas no documentário “Uma verdade inconveniente”, de Gore.

Infelizmente, a discussão sobre as questões climáticas ainda não rompeu os círculos acadêmicos, políticos e mercadológicos para chegar às ruas e pedir a contribuição do cidadão comum. Quais seriam os grandes desafios da Educação Ambiental frente a esta nova “disciplina”?

Para o educador Irineu Tamaio, coordenador do Programa de Educação para Sociedades Sustentáveis, do WWF-Brasil, um dos maiores desafios é traduzir para o cidadão comum como as mudanças climáticas o afetam no dia a dia. “Isto ainda não está internalizado na população”, avalia Tamaio. “O papel da Educação Ambiental é contribuir para que as pessoas compreendam o problema e se engajem em projetos práticos e cotidianos. Isto pode se dar em projetos de reciclagem, reflorestamento, consumo sustentável, redução da pegada ecológica etc.”, acredita o educador.

Para ele, o anúncio das mudanças climáticas criou um momento oportuno para uma discussão de nível político pedagógica. “Tem que ser assim, caso contrário o assunto vai ficar no âmbito dos tratados e acordos internacionais. É preciso trazer o tema para o chão”, sentencia Tamaio.

“Um bom exemplo é o envolvimento da população com a questão da camada de ozônio, quando ela percebia claramente o risco de câncer associado ao buraco na camada”, exemplificou Irineu.

Fernanda Carvalho, assessora de Políticas em Mudanças de Climáticas da TNC (The Nature Conservation, na sigla em inglês) destaca como desafio a diversidade de enfoques para uma questão de enorme complexidade. “Pouca gente tem a visão do todo e, mesmo estes, têm abordagens diferentes”, avalia.

Ela acredita que será necessário um trabalho em rede para construir um modelo específico de abordagem da Educação Ambiental para mudanças climáticas. “Nosso desafio é juntar pessoas que tenham olhares amplos e reuni-los em um único processo”, acredita Fernanda Carvalho.

E o governo? -- Franklin de Paula Júnior é gerente da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente. Para ele, é preciso ver como a ação local do educador faz sentido para uma perspectiva global e sistêmica. “Seu desafio, enquanto multiplicador, é ter acesso a insumos educativos, informações confiáveis e conteúdo em linguagem acessível.

Já o desafio do governo reside, segundo Franklin, em estar perto da sociedade, buscar o diálogo com educadores e pactuar ações. “É preciso descobrir o que, de fato, se pode fazer”. Ele vê a classe política como alvo estratégico da educação ambiental e cita como exemplos o engajamento de Al Gore e a eleição de Obama nos EUA. “Estes dois fatos são uma indicação positiva em meio à rota de colisão em que se encontra o atual modelo civilizatório”, sentencia.

Seminário -- O documento final, retirado da reunião em Brasília será levado para discussão no próximo Fórum Nacional de Educação Ambiental, a se realizar no Rio de Janeiro (RJ), em julho deste ano.
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Educação Ambiental em tempos de Mudanças Climáticas

Por: Efraim Neto

Educação, segundo o dicionário Aurélio, é o processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor integração individual e social. Interpretada por muitos como um meio de aperfeiçoamento das faculdades humanas, a educação, por si só, frente às mudanças climáticas pode ser decifrada como: preparo. Neste momento repleto de estudos, relatórios e informações mais consolidadas a respeito das mudanças climáticas, o Instituto Ecoar e o WWF Brasil realizaram no último dia 25 um workshop sobre a importância da Educação Ambiental frente ao problema das Mudanças Climáticas.

A educação ambiental surgiu como uma nova forma de encarar o papel do ser humano no planeta. Na busca de soluções que alterem ou subvertam a ordem vigente, propõe novos modelos de relacionamentos mais harmônicos com a natureza, novos paradigmas e novos valores éticos, adotando posturas de integração e participação, onde cada indivíduo é estimulado a exercitar plenamente sua cidadania. Em tempos de Mudanças Climáticas a importância de sua aplicação se dá a partir da necessidade de integrar conhecimentos, valores e capacidades que possam levar a comportamentos condizentes com as novas necessidades.

Como aponta Fábio Deboni, educador ambiental, a discussão sobre as questões climáticas ainda não rompeu os círculos acadêmicos, políticos e mercadológicos para chegar às ruas e solicitar toda a participação da sociedade. Este foi um dos tons desenvolvidos durante o workshop que contou com a presença de grandes nomes da Educação Ambiental brasileira, tais como: Irineu Tamaio, Miriam Duailibi, Marcos Sorrentino, Moema Viezzer, Heitor Medeiros entre outros.

Com o objetivo de dar início à construção de um documento que seja um referencial de como a Educação Ambiental pode abordar a temática das Mudanças Climáticas, o encontro aproveitou a oportunidade para refletir sobre: Qual é o papel da Educação Ambiental frente às Mudanças Climáticas; Como “traduzir” o fenômeno do Aquecimento Global e suas relações com a prática e atitudes cotidianas; e, como a Educação Ambiental pode contribuir com a formulação de projetos práticos e transformadores com a questão. Estamos falando de reflexões pedagógico-político, no reconhecimento do problema a partir de questões locais, na construção de materiais e instrumento que aproximem uma maior quantidade de pessoas à causa.

Inspirado nos seus mais diversos caminhos, a Educação Ambiental está desenhando uma proposta muito importante frente às Mudanças Climáticas. Ela está procurando utilizar ao máximo a sua capacidade de transformação, formação e mudança, para disseminar e contribuir para a melhoria da qualidade de vida das pessoas diante das transformações exercidas pelas Mudanças Climáticas.

O documento final, retirado da reunião em Brasília será levado para discussão no VI Fórum Nacional de Educação Ambiental, a se realizar no Rio de Janeiro, entre os dias 22 e 25 de julho, no campus da Praia Vermelha, UFRJ.



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