Saiba como foram os Diálogos para um Brasil Sustentável, Seminário promovido pelo MMA e idealizado por Fritjof Capra e pelo Ecoar

18/08/2003


Capra defende transversalidade nas políticas públicas na abertura dos Diálogos

12/08/2003
ASCOM - MMA

Brasília (DF) – O físico Fritjof Capra destacou a importância da transversalidade das questões ecológicas nas políticas públicas na abertura dos Diálogos para um Brasil Sustentável, que acontecem até o dia 15 de agosto, em Brasília, com a participação de uma rede internacional de ecologistas. “A sustentabilidade só pode acontecer se for implementada simultaneamente em diversas áreas. A transversalidade é uma enorme tarefa. É preciso compreender o principal princípio da ecologia: a vida não surgiu no planeta pela competição, mas através da cooperação, das parcerias e da formação de redes”, alertou Capra.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, destacou que a transversalidade e o controle social são alguns dos princípios que orientam o trabalho do Ministério. “Sem a transversalidade será muito difícil termos políticas públicas do conjunto do Governo que contemplem o desafio da sustentabilidade social, cultural, política, social e ambiental. Deste desafio não podemos abrir mão”, disse. A importância do controle social também foi destacada: “Fazer uma política com a participação da sociedade é manter o governo aberto para receber e ofertar contribuições que podem criar um terceiro produto, uma nova síntese. A realização destes Diálogos é uma sinalização clara de que queremos que as políticas tenham esta contribuição e a participação positiva da sociedade”, afirmou. “Esta rede mundial de ecologistas está aqui para nos ajudar a tornar o nosso sonho realidade. A ajuda virá para que possamos fazer com que esta carga de esperança, de dificuldades e de sonhos

Para o Secretário de Políticas para o Desenvolvimento Sustentável do Ministério do Meio Ambiente, Gilney Viana, “esta reunião de trabalho promete inaugurar uma série de diálogos internacional para um Brasil sustentável para nos ajudar a superar os desafios que nos são colocados”.

A representante do Instituto Ecoar, Miriam Duailibi, uma das coordenadoras do evento, acredita que é possível fazer do Brasil um grande exemplo para o planeta. “Estamos promovendo a união deste conhecimento que já existe no Brasil com o conhecimento de cientistas e pensadores estrangeiros que também tem pautado a sua vida em busca da sustentabilidade para contribuir com a formação desta grande rede global em busca de caminhos sustentáveis”, explica. “É inimaginável pensar que podemos mudar sozinhos. Nós que construímos, progressivamente, o Fórum Social Mundial, afirmamos que um outro mundo só será possível se juntarmos esforços internacionais, as inteligências, as vontades, os movimentos, organizações e setores empresariais que realmente querem mudanças”, defendeu Jean Pierre Leroy, do Programa Brasil Sustentável e Democrático.

Os Diálogos para um Brasil Sustentável foram propostos no início do ano durante o 3º Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, quando Fritjof Capra manifestou à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, a sua motivação de ajudar o Brasil, mobilizando pessoas no mundo inteiro. O evento é uma parceria entre o Ministério do Meio Ambiente, Fritjof Capra, Instituto Ecoar e Programa Brasil Democrático e Sustentável.

Ética Ecológica na Política

A seguir, os principais trechos da apresentação do físico e teórico de sistemas Fritjof Capra na abertura dos Diálogos para um Brasil Sustentável, que acontecem em Brasília até 15 de agosto.

“Formular políticas para um Brasil sustentável significa introduzir uma nova dimensão ética na política. A ética ecológica é um padrão de comportamento que flui através da percepção de que todos pertencemos à comunidade global da biosfera. E nós devemos nos comportar como os outros seres vivos – as plantas, os animais e os microorganismos que formam esta vasta rede da vida, sem interferir com a capacidade surpreendente desta rede de sustentar a vida”.

“Uma comunidade sustentável é organizada de maneira a promover a vida, os negócios, a economia, infra-estrutura e tecnologia sem interferir com a herança da natureza de sustentar a vida. O primeiro passo deste desafio é entender o princípio da organização dos ecossistemas para sustentar a rede da vida. Quando estudamos os princípios básicos da ecologia, descobrimos que eles são os princípios de organização de todos os sistemas vivos. Todos os organismos vivos dependem de um fluxo contínuo de energia e matéria, e todos produzem lixo, mas o lixo de uma espécie é o alimento de outra. A energia que move os ciclos ecológicos flui do sol. A rede é o padrão básico de organização da vida. Desde o princípio, há mais de três bilhões de anos, a vida surgiu no planeta não através da competição, mas através da cooperação, de parcerias e da formação de redes.”

“A natureza sustenta a vida criando e nutrindo as comunidades. Nenhum organismo sobrevive isolado. Os animais dependem da fotossíntese das plantas, as plantas dependem do dióxido de carbono produzido pelos animais, bem como do nitrogênio fixado pelas bactérias e raízes, e juntos as plantas, animais e microorganismos regulam toda a biosfera e mantém as condições que mantém a vida”.

“A sustentabilidade não é uma propriedade individual, mas uma propriedade de uma rede inteira de relações. Ela sempre envolve toda a comunidade. Esta é a lição profunda que precisamos aprender da natureza. O modo de sustentar a vida é construir e manter comunidades. As comunidades interagem entre si. A sustentabilidade é um processo dinâmico de evolução conjunta. Ela inclui o respeito à integridade cultural e ao direito básico de autodeterminação e auto-organização das comunidades. Isto significa que a sustentabilidade ecológica e a justiça econômica são interdependentes. São dois lados da mesma moeda”.

“O fato de a sustentabilidade ser uma propriedade de uma rede inteira de relações significa que a sustentabilidade do Brasil não pode ser implementada mudando apenas a política energética, ou os subsídios para a agricultura. Ela só pode acontecer se for implementada simultaneamente em diversas áreas. A transversalidade é uma enorme tarefa, e só obteremos sucesso se realmente compreendermos o principal princípio da ecologia: a vida não surgiu no planeta pela competição, mas através da cooperação, parcerias e formação de redes”.




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